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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

BEDA #19: Pior Semana do Ano

PORTUGUÊS | ENGLISH

Estou esgotada emocionalmente esta semana. Me perdoem. Eu juro que amanhã falo sobre isso. Eu só... eu só queria que eu pudesse me fechar em um casulo de borboleta e não precisasse socializar com mais ninguém. Bosta.

I am emotionally drained this week. Forgive me. I swear I am going to talk about it tomorrow. I just... I wish I could shut myself inside a butterfly's cocoon, without needing to talk to people. Damn it. 


sábado, 8 de agosto de 2015

BEDA #8: Minha Primeira Vez

PORTUGUÊS | ENGLISH


Ciao!
HAHA, não resisti em colocar um título ambíguo (eu juro que sou uma jovem adulta madura e responsável às vezes). Quem leu a postagem de ontem sabe que na verdade, estou me referindo à minha primeira vez numa consulta com um psicólogo. Mas daí você me pergunta: "Mas ué, você já não foi antes? Quem foi o infeliz que te diagnosticou"? Tem razão, eu já fui antes em um, mas pra mim não conta, porque eu acho que vou fazer o tratamento com a psicóloga que eu conheci hoje. Mas tá, tanto faz, vamos direto ao que interessa. 
Minha consulta estava marcada às onze da manhã, então saí uma hora antes. Tive que pegar um ônibus e fazer três baldeações no metrô (da linha vermelha pra linha azul e, finalmente, para a linha verde; é, ser pobre é foda). Quando saí da estação, ainda andei um bocado, e finalmente cheguei a um prédio com portões automáticos e fachada de vidro, com detalhes em verde-claro. Passei pela recepção, e fui até o andar que me foi designado, a fim de assinar minha ficha. Depois, a recepcionista me indicou para o sexto andar, sala 65. Obediente, entrei novamente no elevador. Quando saí dele, vasculhei o local com os olhos e vi uma única sala com a porta aberta e uma música vibrante saindo dela. Cheguei a pensar se tinha entendido as coordenadas simples que a recepcionista me deu, quando uma moça apareceu, e imediatamente sorriu, gesticulando para que eu entrasse.
Ela não era nada do que eu tinha imaginado. Primeiro, ela era uma mulher (o que é ótimo, pois eu não conseguia me ver falando sobre TUDO com um homem desconhecido). Segundo, ela não vestia nenhum jaleco branco (pessoas da área da saúde, me perdoem, mas pra mim, todo mundo usa aquela porra de jaleco branco sempre). Na verdade, ela estava usando uma blusa com cores fortes e vibrantes e uma saia branca, apenas para dar um contraste. Ela era cheinha, ruiva e usava um batom vermelho tão forte quanto o meu, e logo de cara já pensei "Acho que ela é a pessoa certa pra me tratar". Havia algo no modo como ela falava e fazia as coisas, que fez eu me sentir à vontade. Assim que eu me sentei no sofá, expliquei que não sabia por onde começar. 
E bom, nem tinha porquê eu me preocupar com isso, já que é trabalho dela conduzir a conversa e extrair as informações que ela procura, pra entender o que se passa. A conversa fluiu tranquilamente, e fui contando para ela como eram meus relacionamentos com minha família, meus amigos, os colegas da faculdade e meus ex-namorados. Depois, começamos a falar de coisas um pouco mais sérias, como o porquê de eu ter trancado o curso de Gestão de Turismo, o porquê de eu me cortar/fazer hematomas e como exatamente eu me sentia quando estava com muita tristeza, raiva e irritação. E eu simplesmente fui falando, sem desabar no choro e sem precisar inventar nada ou causar resistência. Era como se eu estivesse conversando com uma amiga. 
Assim que o tempo acabou, ela me disse que aquele horário estaria reservado para mim, e que nos encontraríamos semanalmente. Ela também reforçou que essa era apenas a primeira consulta e que eu não deveria parar o tratamento da psicoterapia. Também me assegurou de que eu só tomaria remédios, se fosse extremamente necessário, porque a última coisa que quero é ficar dependente de um monte de comprimidos. 
Enfim, essa foi apenas a primeira sessão, e com certeza vou ter muito o que contar ainda porque as aulas começam na segunda-feira e faculdade é igual a tretas e estresse infinitos, né? 
Vocês são tipo meus psicólogos reserva. Enquanto eu não vou na sessão, fico chorando no ombro de vocês aqui no blog hahaha 
É isso, até amanhã! Boo-bye! 

Ciao!
HAHA I couldn't resist using a ambiguous title (I swear I am a mature and responsible young adult sometimes). If you read yesterday's post, you probably know I am actually referring to my first appointment with the new psychologist. But anyway, let's get straight to the point!
My appointment was scheduled for 11 AM, so I left home one hour earlier. The clinic wasn't really near the subway station, so I had to walk quite a bit until I arrived. The building where the clinic was, had 12 floors and it had automatic gates and doors and the walls were covered with mirrored glass with tiny details in light green. 
I signed my medical record and went right to the room where the appointment would be. A vibrant music was being played and, for one moment, I actually thought I was in the wrong place, for some reason. 
As soon as I got there, the psychologist show up, smiling, and invited me in. She was nothing like I thought my psychologist would be. First, she was a woman, not a man (which is great, because I couldn't see myself opening up to a random guy I never saw before). Second, she wasn't wearing that white coat all doctors wear. Actually, she was wearing a white skirt that was contrasting to the colourful blouse she had on. She was chubby, with a ginger hair and was wearing a red lipstick as dark as mine, and before she could say anything I thought: "She's the right person, I must start my treatment with her". There was something in her voice tone and in the way she did things, that made me feel comfy. As soon as I sat on the couch, I said I didn't know from where I should start. 
And well, that's okay, because it was actually her job to lead the conversation in order to extract the information she needed to treat me. The conversation was flowing very nice and I told her about my family, my close friends, my university classmates and my ex-boyfriends. Then we started talking about more serious subjects like, why I stopped studying Tourism Management, why I enjoy cutting and bruising myself and how I am used to deal with frustration, anger and sadness. 
I just kept talking. No need to cry or to offer resistence. It was like if I was talking to a friend. 
As soon as the time was over, she said that we would see each other every Saturday, at 11 AM. She explained it was just the first session and that I shouldn't stop the treatment. She also said she was going to make sure I was going to take medicine only if it was extremely necessary, because I don't want to get addicted to any pills. 
Anyway, that was just the beginning and I am sure I will have a lot more to tell, because my classes will start on Monday and university equals to infinite stress and struggle, right?
You are just like my personal psychologists. When I don't go to the session, I cry on your shoulders hahaha
Well, that's it. See you tomorrow!

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

BEDA #7: Sofrendo por Antecipação

PORTUGUÊS | ENGLISH


Ciao! 
Confesso que estou ansiosa por amanhã. Vou ao psicólogo (na verdade, não sei se é uma mulher ou um homem; eu simplesmente marquei o único horário disponível de Sábado) e, como eu não o conheço, estou ligeiramente nervosa. Estou procurando a pessoa certa para começar o meu tratamento, e para confirmar o diagnóstico que o psicólogo anterior me deu: depressão e BPD. 
A ideia de expor meus sentimentos e pensamentos mais profundos a um completo estranho soa como algo desafiador para mim, então eu tendo a não falar tudo o que eu gostaria ou deveria, nas primeiras sessões. Não sei se essa é forma correta de lidar com a situação, mas só começo a me abrir de verdade quando vejo que posso confiar na pessoa (o que pode ser um processo demorado, dependendo de quem e como a pessoa for). Sou cheia dessas frescuras, então espero que dê tudo certo. Não consigo deixar de pensar que  ele vai me julgar como uma preguiçosa profissional que se acha uma coitada, apesar de ele provavelmente estar acostumado a ouvir os desabafos de um número considerável de pessoas problemáticas (ou apenas solitárias, não sei). Não sei porque eu penso nessas coisas, mas acho que ele vai ficar me desprezando e fazendo notas rápidas em seu bloco. 
Eu sei, eu sei. Nem conheci o pobre coitado e já estou aqui, dando-lhe uma personalidade, características, um rosto e uma vida toda. Pra quem está curioso, é assim que minha mente funciona, e é assim que acabo criando novos personagens... de repente!
Não sei se só eu faço isso, mas sofro por antecipação sempre que algo novo ou diferente vai acontecer num futuro próximo, seja uma simples visita ao psicólogo ou uma viagem para fora do país. 
Com certeza compartilharei minha experiência de amanhã com vocês, então fiquem no aguardo e me desejem boa sorte! Tchau, tchau!

Ciao!
I confess that I am anxious for tomorrow. I am going to see the psychologist (actually I don't even know if it will be a woman or a man, I just accepted to schedule the appointment on the only time available in his agenda) and, as I don't know him, I can't help but feel nervous. I am looking for the right person to start my treatment and confirm the diagnosis that the previous one gave me: depression and BPD. 
The ideia of exposing my deepest feelings and thoughts with a complete stranger is quite challenging for me, so I tend to hide some information that I probably should share with him on the first sessions. I don't know if it's okay for me to act that way, but I can only open up when I feel that I can trust the person (which can take some time depending on how the person in question is). I can't stop thinking that he is going to judge me and think that I am just a little spoiled brat who wants attention, even if he's used to listen to troublesome (or lonely and depressed) people crying on his shoulder. I don't know why I think like that, but I just feel that he's going to despise me, while taking notes about how ridiculous I am. 
I know, I know. This is not how real psychologists are. I don't even know him and I am here, already giving him a personality, characteristics, a face and a whole life. For those who are curious, that's how my mind works and that's how I create new characters... all of sudden!
I am probably not the only one who feels that way, but I always suffer in advance - whenever I am about to face a new situation, from a simple appointment to an international trip. 
For sure I am going to share my experience with you tomorrow, so stay tuned and wish me luck! Boo-bye! 

domingo, 2 de agosto de 2015

BEDA #2: Corre que é Treta!

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Ciao!


Hoje, vou contar para vocês sobre o meu breve (e quase desastroso) encontro com minha melhor amiga, Raula. Já havia mais de dois meses desde a última vez que nos vimos, e ela veio de repente, me perguntar se eu estaria disponível para sair com ela. Sem pestanejar, obviamente respondi que sim e marcamos de nos encontrar na estação de metrô Trianon MASP, perto das catracas. Para não perder o costume, chegamos uma hora depois do horário marcado e a convenci a ir ao Starbucks comigo (sou viciada no chocolate quente branco deles). Lá, paguei-lhe um chocolate quente, e passamos o tempo conversando sobre algumas coisas que aconteceram no meio tempo em que não nos vimos. 
Começamos a discordar e a discutir sobre certos pontos, especialmente os que envolviam meu ânimo e minha vontade de estar viva (a depressão e a BPD me pegaram de jeito este mês). Repassando a conversa em minha mente agora, vejo que ela estava mais do que certa em seus argumentos. Tenho mesmo que sair mais, conhecer pessoas novas e fazer coisas que considero prazerosas e divertidas. Mas naquele momento, eu estava me sentindo irritada, apenas querendo que ela entendesse o que eu estava sentindo.
 A BPD é algo extremamente recente em minha vida e poucos amigos e familiares sabem sobre isso, então não é fácil externalizar isso para as pessoas, e muito menos lidar com tudo o que eu sinto em relação a elas. Raula estava apenas me ajudar, e eu estava irritada e magoada com as coisas que ela estava me dizendo. Contei-lhe brevemente sobre minhas crises, e assim a conversa caiu num ciclo, onde eu falava dos meus problemas e ela tentava achar uma solução. 

Em meio a tudo isso, ela me convidou a criar um blog e a entrar nessa de BEDA com ela - e como vocês podem ver, eu concordei. Afinal, escrever é algo que me alivia muito e, se ela ia entrar nessa, eu também ia. 
Nosso encontro foi rápido, algumas horas antes de ela precisar ir para a aula do cursinho (Raula atualmente estuda Gestão de Turismo, mas seu verdadeiro sonho é ser professora, o que eu acho maravilhoso), e logo estávamos andando. Ela em direção ao cursinho e eu, em direção à livraria mais próxima. Queria passar mais tempo com ela e lhe explicar mais do que estava acontecendo, mas minhas tentativas foram em vão. Eu ainda me sentia irritada e frustrada, mas já não sabia mais o porquê. A única coisa que eu sabia era que eu estava com raiva e que ela ia sair para fora a qualquer momento. 
Andamos em silêncio, sem nem sequer olhar uma para a outra. E, sem nenhum aviso, eu parei. Simplesmente parei de andar. Parei e fiquei olhando ela se afastar, alheia ao que estava acontecendo, e lágrimas começaram a brotar dos meus olhos. Minha visão começou a ficar embaçada e sentei-me num ponto de ônibus, desejando não ter saído de casa naquela manhã. Assim que ela percebeu, me mandou uma mensagem de texto, chateada. Começamos a discutir através de mensagens. Quando sua aula começou, as mensagens pararam de chegar, e eu fui para a livraria. Não tinha muito dinheiro e nem deveria estar gastando ele, mas mesmo assim, comprei uma comic belga e fiquei lendo-a até chegar em casa. 
Quando cheguei, me tranquei no meu quarto e caí num sono profundo. Não sonhei com nada, apenas deixei meus sentimentos flutuarem no vazio. As horas se arrastavam, e eu comecei a pensar em como pediria desculpas à ela. Felizmente, nossas brigas nunca duram. À noite, lá estávamos nós, trocando mensagens carinhosas e com xingamentos esporádicos. Odeio minha BPD, mas pelo menos tenho histórias para contar graças a ela. Por falar nisso, tenho o hábito de atribuir gêneros para meus problemas (?). A depressão e a BPD são mulheres. E para mim, isso sempre fez e sempre fará sentido. 

Enfim! Foi um dia péssimo e o que vou dizer pode até ser um clichê, mas essas brigas tornam nossa amizade mais forte, de alguma forma. Elas fazem a gente perceber o quanto nos importamos uma com a outra e o quanto vamos continuar sendo sinceras, mesmo que não concordemos. 
E essa briga me fez perceber, acima de qualquer outra coisa, que ela nunca vai desistir de mim, eu querendo, ou não. 

Obrigada por não desistir de mim.

P.S.: Sinto muito se minha história foi confusa em algum momento, mas isso costuma acontecer quando eu tenho muita coisa para falar.

ENGLISH

Ciao!

Today I am going to tell you about my brief (and almost disastrous) meeting with my best friend, Raula. It has been two months since I last saw her, and she contacted me all of sudden, asking me if I'd like to go out with her. Without hesitation, I obviously said yes, and we decided to meet up at the Trianon MASP subway station (I live in São Paulo, Brasil, in case you're curious). As always, we arrived at the station one hour after the scheduled time and I convinced her to go to Starbucks (I am addicted to their hot white chocolate). There, I treated her a hot chocolate as well and we spend our time chit chatting.
We started to disagree on some topics, specially the ones that had something to do with my mood and my desire to stay alive (depression and BPD got me). Now that I think about that situation, I can see that she was right. I do need to go out more often, meet new people and do things that I consider enjoyable and funny. But, at that moment, all I could feel was anger and I just wanted her to understand my point of view. BPD is something really recent in my life and not everybody knows that I have it, so it's really hard to understand and deal with everything that I feel. 
Raula was just trying to help me and I was angry and frustrated with what she was saying. I told her about how my feeling were being a huge influence in my behaviour and the conversation became a cycle in which I told her my problems, while she tried to find solutions for them. 
In the middle of the conversation, she invited me to create a blog and to start the BEDA project - and as you can see, I agreed. After all, writting is something that really relieves me and, if she was going to be serious about it, I was in too.
Our meeting was really brief, only a few hours before her classes started (Raula is studying Tourism Management, but she's been studying to be a teacher someday, which is awesome), and we started to walk. She had to go to her classes, and I planned to visit the nearest bookstore. I wanted to spend more time with her, but it was in vain. I was still feeling angry and frustrated, but I didn't know why anymore. 
We kept walking in silence, without even looking to each other. And, suddenly, I stopped. I simply stopped walking. I stopped and I kept looking at her silhouette slowly dissapearing, not aware of what was happening. Tears started to come out, and my vision got blurry. I sit at the bus stop, wishing I didn't get out of my room that morning. As so as she noticed I was gone, she sent me a text, angry. We started to argue, but when her classes started, the messages stopped coming. I went to the bookstore and spent my money on a Belgian comic. Later, I regreted this, because I should be saving money instead of spending it with stuff I can't really buy now. 
When I arrived home, I got locked in my room and I felt asleep. I had no dreams, I only let my feelings go away. The time was passing by, and I started thinking about how I was going to apologize. Fortunately, we are unable to stay mad at each other for a long time, and at night, we were okay once again. I hate having BPD, but at least I have stories to tell, thanks to her. By the way, I have the habit of giving genders to my problems (?) Both BPD and depression are females. At least in my point of view. It has always been like that.
Anyway, yesterday was an awful day, but I guess those problems always make our friendship stronger, somehow. They make us see how we care about each other and how we will always be honest with each other, even if it make us argue a lot. 
And, above everything, it made me notice that she is never going to give up on me, no matter if I want that or not. 

Thank you for not giving up, even when I already did. 

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P.S.: I am sorry if I sounded confusing while sharing this situation with you, but it usually happens when I have too much to say or write.